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Curitiba,17/07/2024

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Educação bilíngue potencializa desenvolvimento cognitivo em crianças

Aprendizado contribui para maior atenção, memória e habilidade de mudar o raciocínio entre idiomas diferentes.


Educação bilíngue potencializa desenvolvimento cognitivo em crianças Foto: Freepik

Estudantes bilíngues, incluindo aqueles que aprendem inglês para crianças de todas as idades, são mais ágeis para completar tarefas cognitivas relacionadas à atenção, memória e habilidade de mudar o raciocínio entre idiomas diferentes, conforme mostram estudos. 


Pesquisadores ao redor do mundo têm se dedicado a entender e a explicar como o domínio simultâneo de duas línguas pode aperfeiçoar as faculdades do cérebro. Uma das referências na área é a PhD em Psicologia pela Universidade de York, no Canadá, Ellen Bialystok. Suas pesquisas indicam que alunos bilíngues têm mais facilidade em manter o cérebro atento. 

De acordo com Bialystok, isso ocorre porque há dois idiomas ativos competindo pela dominância cerebral, o que gera diversos estímulos no órgão e contribui para a manutenção da saúde mental. Além disso, o bilinguismo evita o declínio cognitivo e potencializa a expressão do indivíduo. 


Pessoas bilíngues, ao realizarem um teste de língua inglesa, por exemplo, podem usar o vocabulário e as expressões de dois idiomas para construir argumentações. Isso significa que elas são capazes de utilizar termos de um idioma para dar vazão a possíveis significados e ideias que o outro idioma não tenha.

Efeitos do bilinguismo na atividade cerebral


Em entrevista à imprensa, o pesquisador em bilinguismo e psicolinguística na Universidade Northwestern, em Illinois, Ashley Chung-Fat-Yim, afirmou que aprender mais de um idioma aumenta o volume de massa cinzenta no córtex pré-frontal, região importante para o pensamento de alto nível, que envolve a resolução de problemas e a tomada de decisões.


Ele compara a matéria cinzenta às estações de metrô e a matéria branca aos túneis que conectam estas estações, e explica que o multilinguismo mantém essa estrutura para uma comunicação mais eficiente entre as regiões cerebrais.


Além disso, estudos sugerem que falar mais de uma língua pode aumentar a resiliência do cérebro e retardar os sintomas de Alzheimer. Segundo uma revisão de mais de 20 pesquisas feita em 2020, o bilinguismo pode atrasar os sinais da doença em até cinco anos. O levantamento indica que a prática funciona como uma reserva cognitiva capaz de fortalecer e de reorganizar os circuitos cerebrais. 

Formação bilíngue da criança deve ser agradável 


Segundo a professora de Ciências e Distúrbios da Comunicação na Universidade Northwestern, em Illinois, nos Estados Unidos, e autora da obra Power of Language, Viorica Marian, há diversas maneiras de expor uma criança à formação bilíngue. 


Para pais ou responsáveis que falam línguas diferentes um do outro, uma opção pode ser conversar com os filhos somente nos seus respectivos idiomas. Outra abordagem é usar um idioma em casa, quando a criança já estiver sendo exposta a outro na escola.


Outras alternativas incluem falar com os pequenos num idioma diferente em cada dia da semana. Segundo a especialista, entre pesquisadores e famílias bilíngues, a tática é conhecida como “estratégia de tempo e lugar”. Para aplicá-la, cada idioma deve ser associado a um horário ou local específico. 


Segundo os estudos da área, as estratégias mais eficazes costumam ser aquelas que podem ser integradas de forma natural, consistente e a longo prazo. Assim, o método mais eficiente pode variar, conforme as preferências, os hábitos e as habilidades de cada família. O mais importante é fazer com que a experiência seja agradável e não se torne uma tarefa árdua.

Qual é o melhor momento para começar uma educação bilíngue?


De acordo com a professora do departamento de Desenvolvimento Infantil e Adolescente da Universidade Estadual de São Francisco, na Califórnia, Sirada Rochanavibhata, quanto mais cedo uma pessoa for exposta à experiência bilíngue, melhor. Ela afirma que uma vantagem de aprender outro idioma desde cedo é que se torna mais fácil alcançar a proficiência nativa.


A especialista esclarece que, ao longo dos seis primeiros meses de vida, os bebês conseguem discriminar os sons da fala de todos os idiomas. Depois desse período, eles perdem a capacidade de distinguir sons que não são usados na sua língua materna ou naquelas às quais são expostos. 


Rochanavibhata enfatiza que isso não quer dizer que crianças mais velhas não possam começar o estudo de uma segunda língua. Tanto elas, quanto os adultos são capazes de aprender outros idiomas. 


Cada faixa etária conta com vantagens diferentes no processo de aprendizagem, como a maturidade para prestar atenção durante mais tempo e a alegria de se conectar com outras culturas de forma consciente.




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