Congada da Lapa, se apresenta no dia de São Benedito

Trata-se de uma dança que agrega interpretação e cânticos em versos bem montados, fazendo referência ao “Santo Preto”.

Por Assessoria 27/12/2018 - 12:41 hs

A congada chegou à Lapa por volta de 1820, por intermédio de um tropeiro de nome Zacarias ,   que viu na  região o local ideal para a difusão do folclore. Com um livro que contava todo o ritual da dança, vindo da África.   E foi assim ,  com o movimento dos tropeiros, que deixavam Viamão (RS) rumo a Sorocaba (SP), passando pelos Campos Gerais paranaenses – e tendo como um dos principais pontos de paragem a Lapa , que a obra acabou chegando à cidade, mais exatamente nas mãos dos bisavós de Ney Ferreira, presidente do grupo.  A família, segundo consta ,  conserva o livro guardado a sete chaves até hoje. “Na época, eles reuniram os negros das comunidades e começou-se a propor a congada”, rememora  Ney.  

Pelas contas de Ney , baseado na tradição oral de sua família a Congada da Lapa, completará em 2020 , duzentos anos. "O grupo chegou a ficar desativado por quase duas décadas" nos explica Márcio Assad, atual Coordenador Geral  de Comunicação e Eventos do Município, que trabalhou pessoalmente em conjunto com Dra. Alaerte Leandro descendente de Quilombolas do Feixo;  na oportunidade que foi criada a Associação Pelourinho, que obteve exito no intento de fazer renascer o grupo e voltar a se apresentar. " Essa ação deu condições para que em ato contínuo o grupo fosse abarcado por um  projeto  montado e levado adiante por uma organização da sociedade civil de interesse público (Oscip), a Lux AGD, com sede em Curitiba. O patrocínio ficou por conta da Petrobras e deu para os congos renovarem figurino, cenografia e levarem as apresentações para outros estados, como Rio de Janeiro e São Paulo, e em várias cidades paranaenses. no período seguinte o grupo realizou  uma média de dez apresentações anuais." Explica Assad , que também lembra que foi em 204 , através do produtor cinematográfico Rubens Genaro, que este "quase milagre" aconteceu durante as gravações do filme Cafundó, onde atuou junto com Paulo Beti e Clóvis Bueno". O projeto foi uma das boas ações da Lei Roanet ( como a maioria esmagadora dos projetos incentivados).  Passado esse período em que os recursos da lei revitalizaram o grupo sobre todos os aspectos de indumentárias, alegorias e adereços  a instrumentos , passando por aulas de expressão corporal e  musica e se cumpriram as apresentações constantes no projeto o grupo volta a falar em extinção  e a cada apresentação o ar de que será a última paira sobre esta importante expressão cultural , quase bicentenária, completa Márcio Assad , que propõe, uma análise mais profunda em relação a esse "status quo" e que alternativas encontradas através de projetos abrangentes  de incentivo a cultura sejam encetados e que o grupo tenha uma atuação mais permanente de formação de novos membros, pois não é só a suposta e não comprovada falta de apoio e recursos que pode acabar com tão importante expressão, mas a não renovação de seus participantes. De todo modo, estou , como sempre estive à disposição para auxiliar no que for necessário, para a continuidade de nossa congada"  
Na apresentação realizada ontem 26/12 dia de São Benedito)  mais uma vez o anuncio sombrio voltou a tona: como sempre,  de forma genérica e absolutamente imprecisa o "desabafo público" , deixa no ar um abandono , que de fato não existe. Segundo a Diretora de Cultura Helenita Prevedello , todos os pleitos do grupo , que agora se auto denomina "Congada Ferreira", são atendidos; inclusive com ajuda de custo aos conguinhos, transporte, estrutura de arquibancada  quando necessário, além de remodelação da exposição permanente sobre o tema na Casa Vermelha e temporária na sala de exposições Lafaete Rocha. Enfim completa a Diretora; tudo que nos pedem é prontamente atendido. Não a razão plausível  para as afirmações de falta de apoio, pelo menos por parte do município.