Conheça a brasileira que se reinventou profissionalmente na Holanda e hoje é especialista em crianças superdotadas

Por Assessoria 28/01/2020 - 15:38 hs

Muitas famílias enfrentam dificuldades na lida com os filhos mas nem sempre conseguem diagnosticar como resolver a questão. Filhos considerados rebeldes e desajustados ou que não conseguem se interessar por nada na escola, hiper-ativos e ansiosos podem na verdade ser superdotados, e muitos de nós não sabemos como lidar com isso.

Em busca de respostas e baseada na própria experiência de vida, a terapeuta familiar Evelyn Stam se tornou uma especialista em superdotação e hoje ajuda famílias a superar as barreiras da comunicação e da adaptação cultural. Evelyn mudou-se com a família para Holanda em 2010 e resolveu se reinventar profissionalmente para conseguir ajudar sua filha: “Nunca imaginei que ia acabar trabalhando com isto em tempo integral. Eu no Brasil trabalhava como tradutora e consultora de acomodação cultural e havia bastante mercado para o que eu fazia. Mas por conta do nascimento da minha quarta criança, que veio superdotada, eu comecei a me dedicar aos estudos na área de psicologia e superdotação, fazendo inclusive um mestrado em linguagem e comunicação. Não queria que minha filha passasse pelas mesmas coisas que passei enquanto criança, de estar duas séries adiantada na escola, com crianças de outra faixa etária, e todas as questões que eu vivi na infância por ser superdotada. Então desta forma acabei me especializando no assunto, investindo em formações em coaching, programação neuro-linguística, positive coaching e terapia infantil (especializada em transtorno do apego reativo)”, conta.

Hoje, Evelyn se tornou uma das principais especialistas no assunto na Holanda e atende famílias tanto presencial como online, de todas as nacionalidades: “percebi que não são casos isolados os de famílias que precisam de ajuda para melhorar o relacionamento interpessoal e com o exterior. Hoje atendo famílias do mundo inteiro, em busca de aconselhamento.” 


O papel da família no desenvolvimento dos filhos

A especialista ressalta que o desenvolvimento de comportamentos de superdotação impõe novos desafios e demandas aos próprios indivíduos superdotados e seus familiares, que, em algumas ocasiões, não possuem o esclarecimento necessário para atendê-las: "vários estudos destacam a importância da família para a manifestação, desenvolvimento e reconhecimento da superdotação. Estas pesquisas indicam uma grande variedade de práticas parentais e características familiares associadas ao desenvolvimento de comportamentos de superdotação. A partir do momento que estas questões são esclarecidas, elas poderão participar ativamente na integração da criança superdotada em todos os aspectos".

Evelyn Stam acredita que o acompanhamento familiar é um processo único e um aprendizado de mão dupla com cada família: “Por muitos anos trabalhei com comunicação em diversos idiomas, com a minha formações em inglês, linguística e tradução, usando também a minha prática como professora, tradutora e consultora de acomodação cultural. O que hoje faço é transcender a linguagem e procurar entender cada família e como restabelecer seus relacionamentos. Cada pessoa tem um background, uma necessidade específica. No meu caso, meu esposo é holandês e houve um necessário processo de acomodação cultural com meus filhos e meu marido porque Brasil e Holanda são realidades muito diferentes. O europeu em geral é muito direto, objetivo, sem grandes rodeios na hora de falar. Já o brasileiro, precisa de uma introdução, de perguntar como foi o dia antes de começar o assunto propriamente dito. Aprendemos muito ao analisar cada um desses casos e na tentativa de ajudar da melhor forma possível cada família, é um aprendizado de mão dupla.” 

Como diagnosticar se uma criança é superdotada?

Ao longo dos anos, inúmeras propostas foram desenvolvidas para avaliação e diagnóstico da Superdotação intelectual, baseadas em testes de inteligência, avaliação de padrões comportamentais e de condições de desenvolvimento: "cada criança é diferente e reage de forma diferente aos estímulos tanto em casa quanto na escola. Apesar disso, alguns aspectos podem ser evidenciados na interação com indivíduos superdotados, como precocidade no desenvolvimento de habilidades físicas (sentar, andar, falar), no reconhecimento de seus cuidadores, na aquisição da linguagem, no conhecimento verbal e na leitura; alto grau de curiosidade intelectual (elaboração de perguntas mais sofisticadas) e persistência para obter respostas; aprendizagem rápida, com instruções mínimas; sensibilidade desenvolvida; altos níveis de energia (o que muitas vezes pode levar a ser diagnosticado como Hiperativo); preferência por brincadeiras individuais ou por interação com pessoas mais velhas; raciocínio lógico e abstrato bastante desenvolvido e interesse por temas e discussões filosóficas, morais e sociais.”

No entanto, para um diagnóstico definitivo, é preciso procurar um profissional: “Somente um psicólogo ou profissional habilitado pode diagnosticar corretamente o tipo de superdotação da criança. Como terapeuta familiar, minha função é receber esta criança superdotada e elaborar estratégias e formas de envolver toda a família no processo de desenvolvimento e adequação."