Ato contra fechamento da Ansa/Fafen-PR reúne cerca de 2 mil manifestantes no Paraná

Protestos contra a paralisação da fábrica, que vai demitir 1.000 trabalhadores, foram promovidos na Fafen-PR e em outras unidades da Petrobras no país. Fechamento vai reduzir renda e arrecadação de impostos no Paraná.

Por Assessoria 17/01/2020 - 15:38 hs

Curitiba, 17 de janeiro de 2020 – Petroleiros de todo o país ligados à Federação Única dos Petroleiros (FUP) realizaram manifestações na manhã desta sexta-feira (17/1) contra a decisão da atual diretoria da Petrobrás de desativar a Araucária Nitrogenados (Ansa/Fafen-PR). O maior ato ocorreu na porta da Ansa/Fafen-PR, reunindo cerca de 2.000 manifestantes.

Além dos trabalhadores da unidade, participaram do protesto funcionários da Repar, refinaria vizinha à Ansa/Fafen-PR, bem como representantes dos sindicatos filiados à FUP, de movimentos sociais e estudantis. O ato ainda contou com a participação do ex-senador Roberto Requião, do deputado estadual Requião Filho (MDB) e de vereadores de Araucária.

A paralisação da Ansa/Fafen-PR vai provocar a demissão de cerca de 1.000 pessoas, gerando grande impacto na economia local e regional. Cálculos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep) apontam que somente o município de Araucária, onde está instalada a Ansa/Fafen-PR, vai sofrer impacto negativo de R$ 75 milhões anuais com a demissão dos trabalhadores e a perda de suas rendas. A perda se estende também aos cofres do governo do estado do Paraná, que pode deixar de recolher cerca de R$ 50 milhões em ICMS.

“A paralisação da unidade afeta diretamente 1.000 empregos, mas há pelo menos outras 2.000 vagas que estão ameaçadas nos setores de comércio e serviços de Araucária, Curitiba e outros municípios da região metropolitana, por causa da perda de renda dos funcionários da Ansa/Fafen-PR. Pequenos comerciantes e prestadores de serviços também vão ser impactados”, frisou o diretor da FUP, Gerson Castellano.

Castellano ainda questionou o prejuízo alegado pela diretoria da Petrobrás para paralisar a Ansa/Fafen-PR. “Esse prejuízo é apenas contábil. A matéria-prima usada pela unidade é um resíduo que vem da Repar, que é da Petrobrás. Só que a Fafen paga por ele preço de mercado internacional, não o real custo do insumo. Até 2015 a Fafen dava lucro, mas essa mudança contábil feita pela diretoria da Petrobrás fez a companhia ter prejuízos”, aponta o diretor da FUP.

Além do ato na entrada da Ansa/Fafen-PR, houve manifestações na Replan, em Paulínia, e na Recap, em Capuava (SP); na Reduc, em Duque de Caxias (RJ); no Aeroporto do Farol, em Campos dos Goytacazes (RJ); na Regap, em Betim (MG); no Terminal da Transpetro (TAVIT), em Vitória (ES); no Edifício da Petrobras (Ediba), em Salvador (BA); na Refap, em Canoas (RS); na Reman, em Manaus (AM); no Polo Guamaré (RN), na Refinaria Abreu e Lima e no Terminal da Transpetro de Suape, em Ipojuca (PE); e na Lubnor, em Fortaleza (CE).

Perda da produção nacional de ureia

A Ansa/Fafen-PR é hoje a única produtora de ureia no país, insumo básico para a produção de fertilizantes. O volume produzido na unidade corresponde atualmente a cerca de 10% do que é consumido no país – outros 90% vêm de fora.

A produção da Fafen-PR, somada às da Fafens da Bahia e de Sergipe, que foram arrendadas pela Petrobrás no fim de 2019, garantiam cerca de 30% da produção de insumos para fertilizantes. A paralisação de mais essa unidade deixa o país ainda mais exposto ao mercado internacional de fertilizantes, trazendo impacto direto para o agronegócio e aumento do preço das commodities.