Estilista brasileiro ganha fama no Japão com moda plus size

Em país obcecado com 'look' magro, Marcello Matsui é considerado o primeiro estilista a trabalhar somente com moda GG - apostando em roupas ousadas e criativas.

Por Tharick Machado 30/06/2016 - 19:13 hs

A Varal de Moda +, a marca criada pelo brasileiro, nasceu logo depois do terremoto seguido de tsunami que destruiu a região nordeste do país, em 2011. “Eu fazia moda tamanho normal e a moda GG eu comecei há apenas três”, conta.

“Quando eu comecei, a moda ‘plus-size’ estava em alta na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil, e os jornalistas especializados falavam que o mercado estava crescendo”, lembra Marcello.

O segredo do sucesso, segundo o estilista, é que ele não segue o padrão japonês de fazer moda. “Antes era tudo fabricado em tamanhos normais e a modelagem ampliada para os tamanhos grandes. Então não era uma roupa confeccionada para a mulher ‘plus-size’”, explica.

Agora, o brasileiro pensa em expandir seu trabalho para outras regiões da Ásia e também Brasil e Europa.

Obesidade no Japão
Apesar do número de obesos no Japão não parecer preocupante, existe uma grande pressão da sociedade, principalmente em cima das mulheres, para que tenham um corpo esbelto e magro.

Toshio Ishikawa, presidente da Sociedade Japonesa de Transtornos Alimentares, lembra que no Japão há uma ideia cultural predominante de que “magro é bonito”. “Isso já foi longe demais e precisamos resolver a questão”, disse à BBC News.

O médico reclama que existem milhares de japoneses sofrendo de algum transtorno alimentar, mas não recebem tratamento médico ou psicológico adequados.

La Farfa, a primeira e única revista do Japão destinada a chamada categoria “plus-size” (ou GG, no Brasil), tenta encorajar as jovens a reconhecer e celebrar as diferentes formas e tamanhos, e não apenas o “ideal magro” retratado na mídia em geral.

É nesta revista que os trabalhos de Marcello são divulgados.

Harumi Kon, editora-chefe da publicação, começou a revista há dois anos, depois de sofrer muito até aceitar seu corpo. “Quando eu era adolescente tinha vergonha e culpa de mim mesma porque eu era grande”, contou à BBC News.

“Já se passaram 15-20 anos, mas as meninas ainda se sentem assim. E isso não é certo. Eu quero dizer às meninas ‘seja você mesma, seja feliz e seja saudável’.”