Adolescente revela detalhes do assédio de padre preso por estupro em SC

17/06/2017 - 16:50 hs

O relato de um menino de 13 anos, morador de São Francisco do Sul, sobre o fim de semana em que ele e outros quatro garotos da cidade passaram na casa onde vivia o padre Marcos Roberto Ferreira, em Joinville, impressiona. O religioso foi preso na sexta-feira (9) por estupro de vulnerável.

O menino conta que o clima era de diversão e fraternidade para ele e outros quatro amigos de 11 a 13 anos que haviam ido passar o final de semana com o padre Marcos Roberto Ferreira no distrito joinvilense de Pirabeiraba.  Foram dois dias de brincadeiras, conversas e Netflix. O sacerdote dormia em um quarto, os jovens visitantes em outro. No domingo, três adolescentes foram embora. Por insistência do vigário, dois ficaram para mais uma noite – que até hoje, quase um mês depois, ainda não acabou.

Um dos meninos, Tim (nome fictício), 13 anos, conta que eles jantaram, assistiram a um filme e se recolheram quando era quase 1h. Desta vez, comunicou o pároco, todos iriam se deitar na cama de casal, na suíte da residência. O adulto no meio, um menino de cada lado. À direita, o amigo de Tim logo adormeceu, um sono pesado. Ele, à esquerda, ainda tentava pregar os olhos quando foi surpreendido por uma língua em sua orelha. Achou que estava sonhando – “não era possível o padre estar fazendo aquilo” – e se afastou.

— Deu um 10 minutos e ele me abraçou pelas costas e começou a alisar minha barriga. Tentou mexer no meu pênis, tirei a mão dele. Tentou de novo, tirei de novo. Na terceira tentativa, ele botou a mão com força e ficou me masturbando por uns dois, três minutos — diz.

Para se desvencilhar do assédio, Tim disse que precisava fazer o número 2. Assim que se viu sozinho e seguro no banheiro, trancou a porta e acessou o WhatsApp no celular. Às 3h15, mandou a primeira mensagem para o pai. Em poucos segundos, outra. Dois minutos depois, mais duas. E nada de os dois risquinhos ficarem azuis, indicando que tinham sido lidas. Resolveu ligar. Ao ser atendido, desligou. Acordado pelo telefonema, o homem viu que o filho – identificado na lista de contatos do celular pelo nome seguido da inscrição “amor do PAI” (assim mesmo, em maiúsculas) — havia lhe enviado quatro mensagens. “Oi, fala”, teclou.

— O padre me judiou — foi a resposta, completada com um emoji chorando e outro espantado.

Em 11 balõezinhos, Tim contou que o padre estava “meio estranho” e descreveu o que teria ocorrido. O pai quis saber se acontecera algo mais e o orientou a permanecer no banheiro, pois já estava indo buscar ele e o colega. O filho disse “não, só ficou mexendo lá” e que estava com medo, finalizando com uma selfie com cara de choro:

— Vem logo.

O pai sentiu as pernas amolecerem. Iria até lá sem avisar a esposa, pegar os garotos e “matar esse cara”. Mas se a mulher acordasse e não o visse na cama, pensou, aí é que ficaria assustada. Cutucou a companheira e, mal ela reagiu, ainda grogue de sono, mostrou-lhe o celular. Ela despertou no ato e imediatamente entrou em contato com a mãe do amigo de Tim, com quem ficou trocando mensagens enquanto o marido foi resgatar as crianças.

O pai chegou em cerca de uma hora porque estava a cerca de 70 km de distância. O menino, assustado, saiu correndo. Ele e o amigo foram pra casa. As duas famílias denunciarem o padre que disse ao delegado que só responderá em juízo.

A prisão do padre Marcos deixou a comunidade perplexa – e um misto de raiva e decepção nos pais das supostas vítimas. Durante os cinco anos que passou em São Francisco do Sul, conheceu muito bem cada fiel e conquistou todos com o seu carisma. Todos estão abismados

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