BATE PAPO SONORO- INCLUSÃO PARA DEFICIENTES VISUAIS.

Por Oziel Fabrasil 15/08/2017 - 17:52 hs

Os portadores de necessidades especiais, em particular os deficientes visuais de alto grau, já podem utilizar-se de computadores. O Software é o NVDA sigla que traduzida do Inglês :”Acesso Não –Visual ao Ambiente de Trabalho” .. Segundo dados do IBGE , no Brasil, existem cerca de 16 milhões de deficientes visuais. Destes 160 mil são completamente cegos.

A Legislação Brasileira tem imbuído a responsabilidade aos professores para a inclusão dos portadores com necessidades especiais. Via de regra os estados, por vezes, oferecem recursos como Softwares e Hardwares para tal intento. Ocorre porém que os Docentes precisam de capacitação para a utilização destes recursos.

“O movimento da inclusão aqui entendido como a garantia de acesso,permanência e sucesso da criança com deficiência, com transtornos globais do desenvolvimento ou com altas habilidades/superdotação,pode ser um diferencial para a educação de todas as crianças. A presença desta criança na sala regular tem exigido um conjunto de estratégias e procedimentos de ensino diferente daquele utilizado em escolas especiais. O avanço tecnológico tem, ainda ,proporcionado ferramentas que , adequadas ao contexto e às necessidades de cada aluno , podem aumentar a probabilidade de desenvolvimento do desempenho de cada um e de todos. Entretanto , a disponibilização destas ferramentas no ambiente escolar depende exclusivamente da adesão do professor a ela”.

LDB LEI 9.394/96 – Artigo 58 e 59.

A lei de Diretrizes e Bases da Educação “Entende-se por educação especial para efeito desta Lei a modalidade de educação escolar , oferecida preferencialmente na rede regular de ensino , para educandos portadores de necessidades especiais .( .....) Artigo 59 Os sistemas de ensino asseguraram aos educandos com necessidades especiais :I currículos , métodos ,técnicas ,recursos educativos e organização específicos , para atender às suas necessidades ; II terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental em virtude de suas deficiências e a aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados ; III – professores com especialização adequada em nível médio e superior , para atendimento especializado bem como professor do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns ; IV – educação especial para o trabalho , visando a sua efetiva integração na vida em sociedade , inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo , mediante articulação com os órgãos oficiais afins , bem como para aqueles uma habilidade superior nas áreas artísticas intelectual, ou psicomotora ; V – acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível de ensino regular ( BRASIL 1996) .

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação determina que a oferta de educação escolar será oferecida preferencialmente na rede regular de ensino. Isto não quer dizer que as escolas especiais ficaram sem sua clientela. Porém a Lei tenta a inclusão aos demais discentes pois na sociedade as pessoas não devem estar isoladas. Porém a inclusão precisa estar imbuída na sua quantidade e qualidade, pois o acesso ao conhecimento elaborado deve estar disponível com sua total amplitude e detalhe , exigindo do estabelecimento de ensino recursos humanos qualificados e recursos materiais tecnológicos em perfeito funcionamento e a disposição imediata aos usuários.

Como surgiu o NVDA?

Criado pelo Australiano Michel Curram – apelido de Mike ( pronuncia-se Maik) cego cursando Ciência da Computação levantou três problemas claros:
Alto custo financeiro para a implantação de teclas de toque;Questão de ordem técnica – as tecnologias atende genericamente e não especificamente;Questões de ordem moral e ética, pois vários cegos necessitavam utilizar-se dos softwares sem licenças ou piratas.
Para resolver tais problemas , Mick desenvolveu um leitor de telas para Windows.Para tanto partiu das premissas da gratuidade, adaptá-lo as necessidades específicas , redistribuí-lo com “design” de fácil entendimento para programadores iniciantes.

Mick chamou, então, esse leitor de "Non Visual Desktop Access" ou NVDA, e escolheu como licença a largamente reconhecida e consagrada GPL (sigla em Inglês para "LICENÇA PÚBLICA GERAL GNU"), de autoria da Fundação para o Software Livre e adotada pelos sistemas GNU/Linux e outros.

Como linguagem de programação ele escolheu a Python, uma linguagem de fácil aprendizado e ao mesmo tempo riquíssima em recursos, usada inclusive internacionalmente por muitos professores universitários para introduzir estudantes de ciência da Computação ao universo da programação de computadores.

Como o Cego usa o Computador?

O computador é normal porém existem os leitores de tela. Esses aplicativos capturam as informações que aparecem na tela em tempo real e através de um sintetizador de voz ( voz artificial) falam o que a tela mostra. Um cego pode utilizar-se de um computador da mesma forma que um vidente podendo inclusive ouvir música enquanto conversa com outros usuários, a música fica mais baixa e a voz do leitor mais alta.

Cegos usam teclado em Braile?

Não , o teclado é normal, pois não precisamos olhar para digitar, existe um parâmetro de toque na tecla “F” e não tecla “J” que serve de localizador , o restante do teclado é preciso decorar.
Para ler livros os cegos precisam passar o texto de PDF para MP3 e ouvir. Já para a realização das provas pode-se fazer através do Notebook ou oralmente.
A evolução tecnológica auxilia em muito quem é cego. Existem nas escolas vários cegos que estão totalmente adaptados às escolas convivendo , assistido as aulas, fazendo provas e totalmente inseridos neste contexto.

Por Luiz Antonio Ferreira Lourenço, RU 1719866
Polo – Cidade Rio Negro , PR.
Data :10/08/2017